Dark Energy Survey completa missão de seis anos

11 de janeiro de 2019 | LIneA

O esforço dos cientistas para mapear uma parte do céu em detalhes sem precedentes está chegando ao fim, mas o trabalho para aprender mais sobre a expansão do universo está apenas começando. Depois de analisar em profundidade cerca de um quarto dos céus do sul durante seis anos e catalogar centenas de milhões de galáxias distantes, o Dark Energy Survey ( DES) terminou a coleta de dados no dia 9 de janeiro de 2019.

A pesquisa é uma colaboração internacional que começou a mapear uma área de 5.000 graus quadrados do céu em 31 de agosto de 2013, para buscar evidências de energia escura (a força misteriosa que está acelerando a expansão do universo). Usando a Dark Energy Camera ( DECam), uma câmera digital de 520 megapixels montada no telescópio Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano Cerro Tololo, no Chile (Figura 1), os cientistas do DES coletaram dados em 758 noites durante seis anos. Durante essas noites, eles registraram dados de quase 1 bilhão de galáxias que estão a bilhões de anos-luz da Terra. Mais de 400 cientistas de mais de 25 instituições em todo o mundo estiveram envolvidos no projeto, que é hospedado pelo Fermi National Accelerator Laboratory ( Fermilab), do Departamento de Energia dos EUA. O LIneA foi responsável pelo desenvolvimento e pela instalação do software de análise a tempo real da aquisição de dados da Dark Energy Camera (DECam).

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Figura 1: Observatório Interamericano de Cerro Tololo, localizado em uma montanha próximo ao Vale de Elqui, no Chile.

DES continua sendo uma das pesquisas mais sensíveis e abrangentes de galáxias distantes já realizadas. O DES já lançou artigos com base em seu primeiro ano de dados, e os cientistas já estão mergulhando nas imagens catalogadas, procurando pistas sobre a natureza da energia escura. A colaboração do DES continua a divulgar resultados científicos de seus armazéns de dados. Os destaques dos anos anteriores incluem:

Centenas de cientistas foram chamados para trabalhar a câmera, e para organizar esse esforço o DES adotou alguns dos princípios dos experimentos de física de alta energia, nos quais todos os que trabalham no experimento estão envolvidos em sua operação de alguma forma.

Isso também proporcionou ao DES uma oportunidade educacional: os observadores mais experientes foram emparelhados com os inexperientes para o treinamento, e com o tempo passariam esse conhecimento para os observadores mais jovens. A estrutura organizacional do DES foi projetada para dar aos cientistas iniciantes valiosas oportunidades de progresso, desde workshops sobre a redação de propostas de pesquisa até comitês que revisam e editam pedidos de subsídio e emprego.

Dark Energy Camera permanecerá montada no telescópio em Cerro Tololo e continuará a ser um instrumento útil para colaborações científicas em todo o mundo. A colaboração do DES agora se concentrará na geração de novos resultados de seus seis anos de dados. Com uma era no fim, a próxima era do DES está apenas começando.

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Figura 2: Imagens tiradas da Dark Energy Camera (DES). Créditos da imagem: Fermilab.

blankDark Energy Survey é uma colaboração de mais de 400 cientistas de 26 instituições em sete países. A lista das instituições que financiaram os projetos do DES pode ser encontrada aqui. O DES-Brazil é apoiado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do e-Universo (INCT do e-Universo) e pelo Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). O LIneA é apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação, e Comunicações; Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; e Financiadora de Estudos e Projetos.

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