Levantamento DES e a busca por estrelas anãs marrons

07 de julho de 2017 | LIneA

Há quatro anos, o levantamento DES mapeia o céu do hemisfério sul com objetivo principal de entender a natureza da energia escura, mas também é capaz de fornecer dados para outras pesquisas em diferentes campos como o estudo do sistema solar e da Via Láctea. Nesta última área, o Dr. Aurélio Carnero Rosell, do Observatório Nacional, atua em conjunto com astrônomos brasileiros e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na identificação de um conjunto de estrelas de brilho muito fraco chamadas de anãs marrons – as estrelas mais frias que existem. Atualmente, conhecemos apenas milhares destes objetos, muito pouco se compararmos às milhões de estrelas identificadas na Via Láctea. As anãs marrons foram preditas teoricamente na década de 1960, mas foram observadas pela primeira vez apenas nos anos 90. Devido ao elevado grau de desafio na pesquisa destes objetos, podemos dizer que os cientistas estão, de fato, procurando “agulhas em um palheiro”.

As anãs marrons são objetos sub-estelares com massas inferiores a estrelas e superiores a de planetas gigantes. Estes objetos têm processo de formação idêntico ao das estrelas, mas devido à baixa massa não geram encadeamentos termonucleares em seu interior. Por isso, são muito frias e pouco luminosas, com brilho máximo em alcance infravermelho apenas, o que dificulta e traz desafios na observação e estudo. As estimativas são de que se configuram como alguns dos objetos mais abundantes na Via Láctea e nas demais galáxias. Como curiosidade, ao contrário do que a nomenclatura indica, a luz das anãs marrons tem cor magenta em virtude da presença de nuvens de lítio que absorvem a cor amarela.

Com a profundidade e capacidade de pesquisa do DES, finalmente será possível realizar um estudo mais robusto nesta área. Estima-se que o DES será capaz de detectar e caracterizar milhares de anãs marrons, podendo chegar a dezenas de milhares. Isso significa que, pela primeira vez, pesquisadores vão reunir condições de analisar, em grande escala, a distribuição espacial de anãs marrons na Via Láctea.

Recentemente Aurélio deu uma entrevista ao programa Fronteiras da Ciência na rádio da UFRGS, falando sobre o tema. Esta entrevista pode ser ouvida na íntegra aqui. O LIneA e o INCT do e-Universo apoiam brasileiros que tomam parte no projeto DES.

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Figura 1 – Concepção artística de uma anã marrom. Crédito da imagem: NASA/JPJ-Caltech.

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Figura 2 – Escala de tamanho de uma anã marrom (em inglês, brown dwarf). Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/UCB.

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