Asteroides pertecem a famílias e grupos

28 de julho de 2017 | LIneA

Ao contrário do que se possa pensar, os asteroides não são corpos que vagam de maneira solitária. Eles não estão sozinhos, pois ao longo da formação e evolução do Sistema Solar foram se agrupando de acordo com suas características orbitais. O LIneA e INCT do e-Universo, por meio de levantamentos como o DES e LSST, realizam estudos e captação de dados sobre estes corpos.

Os asteroides podem ser divididos em “grupos” quando apresentam semelhanças referentes referentes ao formato (quão diferente de um círculo, determinado pela excentricidade) e inclinação da órbita em relação ao plano da órbita da Terra. Estes grupos ainda podem ser subdivididos em “famílias” quando, além de elementos orbitais, também dividem outras características similares que aparecem em seu espectro. Estima-se que membros de uma mesma família foram formados a partir de colisões, restando um corpo maior principal, que normalmente leva o nome da família, e seus diversos fragmentos.

No cinturão de asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter, são reconhecidas atualmente cerca de 20 a 30 famílias. Os asteroides Vesta, Palas e Hungaria, por exemplo, possuem famílias. Já na região situada após a órbita de Netuno, a única família conhecida atualmente é a relacionada ao planeta anão Haumea. Nesta distante região do Sistema Solar, grupos são mais comuns que famílias. Dentre eles estão: os plutinos, que são objetos em ressonância orbital (quando dois ou mais corpos em órbita exercem influência gravitacional um com o outro) com Netuno, sendo Plutão seu membro principal; Objetos clássicos do cinturão de Kuiper, subdivididos em ‘quentes’ e ‘frios’, dependendo de sua inclinação orbital; Objetos espalhados, com altas excentricidades – até 0.8 – inclinações – até 40 graus – e periastro acima de 30 Unidades Astronômicas – periastro é ponto da órbita de um corpo celeste no qual se encontra mais próximo do astro em torno do qual gravita); Objetos destacados, com grande periastro, tal que a maior influência não é mais o Sol, mas sim de Netuno e de outros objetos da região, estando praticamente desligados do Sistema Solar); Objetos “tipo Sedna”, com periastro acima de 50 Unidades Astronômicas e altas excentricidades – Atualmente, são conhecidos apenas dois objetos deste tipo (além de Sedna) e outros ainda mais distantes, pertencentes à nuvem de Oort, local de onde se originam os cometas.

Com o levantamento LSST, espera-se descobrir outras dezenas de milhares de novos objetos na região mais distante do Sistema Solar. Com o aumento considerável da quantidade de objetos conhecidos, será possível aprofundar o estudo sobre as famílias e até desvendar se há ou não outras presentes no Sistema Solar. Estes novos grupos e famílias poderão facilitar o entendimento de como o nosso sistema estelar se formou, além de fornecer informações importantes para modelos de formação planetária.

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Figura 1 – Objetos do Sistema Solar exterior. Em amarelo (entre as órbitas de Júpiter e Netuno) estão os Centauros; em vermelho os Plutinos; em azul os objetos do cinturão de Kuiper clássico; em cinza os objetos do disco espalhado. O tamanho dos pontos depende de sua magnitude absoluta (relacionada ao brilho e ao tamanho do objeto). O eixo vertical se refere à inclinação da órbita do objeto. Já o horizontal, mostra a distância em Unidades Astronômicas (em branco) e o período de translação – uma volta ao redor do Sol (em vermelho). Também indicado estão as posições de algumas ressonâncias gravitacionais com Netuno (note que os Plutinos estão na ressonância 2/3, isto significa que a cada 2 voltas ao redor do Sol do objeto, Netuno dá 3 voltas) – Figura adaptada por Gustavo Rossi, considerando dados obtidos do banco de dados do Minor Planet Center.
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Figura 2 – Mesma descrição da figura 1, mas direcionada a objetos mais distantes e acrescida os 3 objetos tipo Sedna (em branco) conhecidos. Figura adaptada por Gustavo Rossi, considerando dados obtidos do banco de dados do Minor Planet Center.

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